Eleições passam, Cristo permanece

Em ano de eleições, milhões de brasileiros vão às urnas para escolher seus representantes. É um momento importante da vida pública do país, e o cristão não deve tratar sua responsabilidade como cidadão com indiferença.

Períodos eleitorais, porém, costumam ser marcados por disputas acaloradas, controvérsias jurídicas, conflitos institucionais, denúncias, desinformação e muitas incertezas.

Nesses momentos, há algo que precisamos lembrar: a urna não substituirá o evangelho. As eleições passam, mas Cristo permanece.

Isso, porém, não significa que o cristão deva votar de qualquer maneira. O voto é uma responsabilidade que deve ser exercida diante de Deus. Não votamos por paixão partidária, simpatia pessoal, tradição ou medo do adversário. Também não devemos entregar nosso voto em troca de favores ou vantagens particulares. Somos chamados a agir com consciência, prudência e amor ao próximo.

Isso exige procurar conhecer, na medida do possível, quem está pedindo nosso voto. É necessário compreender as atribuições do cargo em disputa, examinar propostas, verificar informações, considerar o histórico público dos candidatos e distinguir aquilo que é fato daquilo que é propaganda, exagero ou boato. O cristão não deve abandonar o pensamento crítico na porta da seção eleitoral.

A responsabilidade cristã não consiste em encontrar um candidato que corresponda perfeitamente a todas as nossas convicções. Em eleições reais, frequentemente será necessário escolher entre pessoas, propostas e programas imperfeitos. A consciência cristã deve ser informada pela verdade, e não capturada pela idolatria de uma pessoa, partido ou ideologia.

Também é necessário pensar além do interesse individual. O voto não deveria ser orientado apenas pela pergunta “o que este candidato fará por mim?”, mas também pela consideração daqueles que serão afetados pelas decisões do governo. A responsabilidade pública envolve buscar o que é justo e o bem do próximo (cf. Filipenses 2:3,4).

E mesmo quando o cenário político e institucional parece confuso, o cristão precisa conservar o equilíbrio, buscando a verdade, respeitando os fatos, exercercendo discernimento e lembrando que nenhuma instituição humana é infalível.

Lembre: Jesus Cristo reina. Governos mudam, autoridades passam, instituições entram em crise e eleições terminam. O Reino de Deus, porém, segue avançando e não depende de nada disso.

Por isso, o cristão pode participar da vida pública com seriedade sem transformar a política em idolatria. Pode levar as eleições a sério sem colocar nelas sua esperança. Pode reconhecer injustiças sem cair em desespero. Pode votar conscientemente e, ao mesmo tempo, lembrar que a soberania de Deus não está nas mãos dos eleitores, dos candidatos ou das instituições humanas (cf. Daniel 2:21).

Depois da eleição, a missão da Igreja continuará a mesma: proclamar o evangelho, obedecer a Cristo e viver para a glória de Deus.

A urna não pode nos salvar. O governo não pode nos salvar. O Estado não pode nos salvar. Jesus Cristo é o nosso único Salvador e Senhor.

“Alguns confiam em carros de guerra, outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus.” (Salmos 20:7)

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