Erguem-se vozes que se dizem proféticas,
mas falam da própria imaginação.
Pregadores que trocam a cruz pelo palco,
e o arrependimento pelo aplauso.
Ungem-se a si mesmos com azeite comum
e proclamam visões que nascem do ventre.
Sopram sobre as multidões — e o povo cai,
não por poder, mas por costume.
Prometem vitórias e decretos,
mas esquecem o Cordeiro que foi moído.
Seu altar tem fumaça, mas não incenso;
tem palmas, mas não lágrimas.
Amam o brilho do microfone,
mas desprezam o peso da verdade.
Chamam de “mover” o que é histeria,
e de “glória” o que é vaidade.
Há uma multidão que busca emoção e não Escritura,
corre atrás de campanhas como quem persegue vento.
Ergue as mãos, mas não o coração;
fala em línguas, línguas realmente estranhas,
mas não fala em arrependimento.
Diz “fogo!”, e o fogo consome o discernimento.
Diz “glória!”, mas ignora a santidade.
Venera o pregador como se fosse o próprio Cristo,
e despreza o Cristo que fala nas páginas antigas.
Tem ouvidos para os gritos, mas não para a doutrina;
chora no culto, mas não chora pelo pecado.
Quando a verdade é lida, clama: “Não apague o Espírito!”
mas o espírito que o move não vem do alto.
Choro pelas ruínas do templo de barulho,
onde o espírito do erro sopra o vento que não consola.
Sopra forte, mas não convence;
move multidões, mas não regenera um só coração.
Vejo altares de luzes e fumaça,
crianças brincando de profetas,
homens vendendo promessas,
e o nome de Cristo transformado em slogan.
Mas há um povo escondido no silêncio,
que ainda teme o Deus da Palavra.
Não dançam — esperam;
não gritam — crêem;
não buscam sinais — buscam o Senhor.
Entre risos fingidos e quedas programadas,
guardam o fogo discreto da fé verdadeira.
Porque ainda há sete mil
que não se curvaram diante do altar da emoção.
Virá o dia em que o ruído cessará,
e o púlpito voltará a ser lugar de temor.
Os altares de espetáculo ruirão,
e o Evangelho, outrora esquecido,
brilhará como sol sobre ruínas.
A Palavra voltará a ser centro,
o culto voltará a ser sacrifício de coração.
Os lábios confessarão o que o coração crê,
e o povo aprenderá a amar a verdade.
Não mais fogo estranho,
mas chama santa;
não mais profetas do lucro,
mas servos do Senhor.
E o remanescente cantará:
“O Senhor reina!
Sua voz é suficiente,
Sua graça é melhor do que poder,
Sua glória habita no silêncio
onde o coração se curva e adora.”
Inspirado em Levítico 10:1-3; Jeremias 23:16-32; Amós 5:21-24; João 4:23,24 e 2 Timóteo 4:1-5